Psiquiatra Cristão

Por Daniel Grubba

Richard J. Foster observou que o efeito evangelical do pregador metodista John Wesley foi grandemente acentuado pela integridade de sua vida. “Há registros de que Wesley teria dito à sua irmã, “dinheiro nunca fica comigo. Eu me queimaria se fizesse isso. Minhas mãos livram-se dele o mais rápido possível, para que ele não se encontre seu caminho dentro do meu coração”. Ele dizia a todos que, se ao morrer tivesse mais de dez libras (por volta de 40 reais) consigo, as pessoas teriam o privilégio de chamá-lo de ladrão”.

Um dos biógrafos de Wesley, Mateo Lelievre, nos conta como era a relação deste heroi da fé com o dinheiro e o lucro dos livros:

Ele poupava dinheiro, mas fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da sociedade de Londres, ele mesmo limitou à modesta soma de 30 libras (750 dólares). É verdade que além disso recebia o lucro de venda de seus livros, que às vezes chegava a ser considerável. Mas, depois de retirar o necessário para suas modestas despesas, distribuía o restante com os pobres[…]Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntavam quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talheres de grande valor, respondeu: “Tenho duas colheres de prata aqui em Londres, e duas em Bristol. Esses são todos os utensílios de maior valor que possuo atualmente, e não comprarei mais, enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão”.

Morreu pobre, como prometera a seus amigos, e nada deixou em sua pobreza, senão “uma grande estante cheia de bons livros, uma toga pastoral bastante usada, um nome escarnecido, e… a Igreja Metodista.

Sobre a venda de livros e o lucro, Wesley dizia:

“Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entensouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano…minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens”.

Wesley levou a sério que Paulo disse em II Coríntios 6.3 “não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”. Infelizmente, existe uma onda de escândalos envolvendo a igreja, intimamente ligados a atos inescrupulosos de ganância e poder. E ainda tem coragem em falar em perseguição? Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal (I Pe 3.17). São perseguidos porque fazem o mal e reclamam? Aprendam com Wesley a serem integros, e parem de sujar o nome de Jesus.

***
Fonte: Soli Deo Gloria (blog)

Caro leitor, você prefere ser rico ou ser feliz? Parece evidente que a melhor escolha é a felicidade. Porém, muitos condicionam a conquista da felicidade à obtenção de uma boa situação financeira. Mas será que ser rico ajuda a ser feliz?

Os primeiros pensadores da Economia estudaram intensamente os fatores que influenciam na felicidade das pessoas. Jeremy Bentham, filósofo inglês nascido no século 18, buscava responder questões sobre como maximizar a utilidade e a felicidade. Para Bentham, a utilidade é definida como a propriedade que um dado bem possui de trazer ao individuo algum beneficio, prazer ou felicidade.

Alfred Marshall, autor dos “Princípios de Economia” (1890) afirmou que “pode fazer pequena diferença para a plenitude de uma família a sua renda anual de 1.000 ou de 5.000 libras; mas a diferença é grande se a renda for de 30 ou 150 libras: pois com 150 libras a família tem as condições materiais de uma vida satisfatória, enquanto que com 30 libras não as tem. É verdade que na religião, nas afeições de família e na amizade, mesmo o pobre pode encontrar objeto para muitas das faculdades que são a fonte da maior felicidade”.

Em vários textos dos séculos 18 e 19, e até do principio do século 20, é comum observar associação entre o estudo da Economia e a busca da felicidade. Porém, em dado momento, a felicidade parou de freqüentar o debate econômico.

No início do século XX, sob inspiração do Positivismo, a Economia passou buscar a construção de um modelo de ser humano que pudesse sustentar toda a teoria de forma consistente e positiva e, principalmente, modelável matematicamente. A economia não conseguia definir o que era felicidade e a hipótese de maximizar algo não-definível era totalmente inaceitável para a ciência positivista. Assim, a teoria da utilidade triunfou e nasceu o homus economicus, eterno maximizador racional de utilidade.

Porém, recordando Jeremy Bentham e sua definição de que utilidade é a propriedade de trazer ao individuo algum beneficio, prazer ou felicidade, não estaríamos no mesmo ponto? Para fugir desta cilada, a Economia adotou a hipótese de que consumo é igual à utilidade. Passamos a acreditar que o incremento da renda, que possibilita o consumo, aumenta a felicidade da população.

Durante muito tempo, a equação mais renda mais felicidade funcionou muito bem. Mas, a partir da década de 1960, as nações mais desenvolvidas passaram a aumentar a renda – e o nível geral de felicidade de sua população não cresceu na mesma proporção. Diante deste problema, a Economia precisou rever o pressuposto de que o homem é um ser racional, egoísta e maximizador de utilidade.

:: Medindo a felicidade

Nos últimos anos, inúmeros estudos foram elaborados para entender a felicidade. Inicialmente, formou-se certo consenso de que a única forma viável de se medir o grau de felicidade de uma pessoa era acreditando naquilo que ela externava. Assim, a típica pesquisa sobre felicidade passou a ser feita com questionários. As perguntas eram do tipo “de zero a dez, qual o nível geral de sua satisfação com a vida neste momento?” ou, eventualmente, questões mais complexas, mas sempre baseado no julgamento do próprio individuo pesquisado sobre a satisfação dele com a vida.

Sabe-se que nem sempre as pessoas são sinceras em suas afirmações. Também existe um consenso de que as respostas podem variar ao longo do tempo, até mesmo em questão de minutos. Uma pessoa que diz ter alto nível de satisfação com a vida pode responder de outra forma após uma discussão com o cônjuge, por exemplo.

Mesmo diante destas limitações, as pesquisas continuam a ser feitas e seus resultados, compilados. A suposição é que se muitas pessoas forem pesquisadas e se as pesquisas forem repetidas ano após ano, será possível medir o nível de satisfação de uma população com a vida.

O World Database of Happiness (base de dados de pesquisas sobre felicidade, sediada na Holanda) concentra estudos feitos em 135 diferentes países. Essa ferramenta permite que pesquisadores de todo a mundo busquem informações para entender o que nos faz felizes.

Um estudo interessante foi feito por Alois Stutzer e Bruno Frey, da University of Zurich, com dados de uma extensa pesquisa do Socio-Economic Panel, da Alemanha. Com o título “O casamento faz as pessoas felizes ou pessoas felizes é que se casam? “, o estudo investiga a relação entre casamento e felicidade.

:: Casamento e felicidade

Stutzer e Frey, trabalhando com dados da Alemanha, chegaram à conclusão que pessoas casadas são mais felizes e satisfeitas com a vida do que aquelas que permanecem solteiras. O efeito do casamento, no grau de satisfação com a vida, é equivalente a um aumento de duas vezes e meia na renda. Uma ducha de água fria para os críticos ferozes do casamento.

De acordo com o estudo, o grau de felicidade cresce de forma significativa nos seis anos anteriores ao casamento e atinge o pico um ano após as núpcias. Após um ano de casado, o nível de felicidade começa a cair. No décimo ano depois do casamento, o nível de satisfação com a vida é inferior ao de dez anos antes do matrimônio. Mas a queda no nível de satisfação com a vida não decorre do relacionamento. A curva de felicidade daqueles que permanecem solteiros também descende ao longo do tempo.

Aos 36 anos, os casados são apenas um pouco mais felizes do que os solteiros. A partir desta idade, o nível de satisfação com a vida dos solteiros cai significativamente até atingir um pico de baixa aos 44 anos, quando então são muito menos felizes que os casados.

Mas porque há quem diga que o casamento traz infelicidade? A pesquisa mostra que as pessoas tendem a ser mais felizes aos 24 do que aos 44 anos, independente de estarem ou não casadas.

Dados estatísticos não servem para explicar situações particulares. Mas, com base nas estatísticas, você não deve colocar seu casamento em risco para tentar ganhar mais dinheiro e ser mais feliz.

Fonte:

articulista@edufinanceira.org.br

_______________________________________________________

Jurandir Sell Macedo, CFPTM (Certified Financial PlannerTM). Profissional de Investimentos Certificado APIMEC. Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina com especialidade em Finanças. Professor Adjunto de Finanças Pessoais e Comportamentais da UFSC. Membro Orientador do Instituto Nacional de Investidores – INI. Jurandir é autor do livro “A árvore do dinheiro – guia para cultivar a sua independência financeira” Editora Campus 2007

RF – Quais foram os principais modismos teológicos dos últimos tempos que causaram maiores estragos ao povo de Deus no Brasil?

PR – A Teologia da Prosperidade é um, depois outras doutrinas que foram aparecendo como a Quebra de Maldição Hereditária, o G-12 e as distorções na área de batalha espiritual, porque a ênfase passa a ser nos demônios, em espíritos territoriais. São várias as distorções na área de batalha espiritual. Vimos também os abusos na área dos milagres. E como combater isso? Só existe um meio: com a Bíblia. É preciso voltar aos fundamentos, ao básico, à Palavra de Deus.
RF – Recentemente entrevistamos o professor James Packer, que nos disse que a Teologia da Prosperidade já não tem força nos EUA como antes. O senhor acredita que a Teologia da Prosperidade ainda terá muito fôlego no Brasil e na América Latina?
PR – Ela terá por causa da tirania do mercado. Ela precisa de dinheiro para sobreviver e as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade conseguem arregimentar a multidão. Essa doutrina prega o que as pessoas querem ouvir. Ela oferece uma ajuda imediata para problemas imediatos. “Você, que não consegue casar, vem aqui e vou lhe arranjar um parceiro”. Ou “Você, que não consegue prosperar, faz a corrente aqui e vai prosperar”.
RF – Quem é o culpado pela ênfase nas soluções imediatas para os problemas?
PR – Esse é o grande problema. Muitas igrejas não pregam mais a Salvação. Elas pregam a solução de problemas. Mudaram o foco. Elas não têm, por exemplo, um trabalho a médio e longo prazo com os seus membros, porque aí precisam falar de vida eterna. Você já viu, por exemplo, essas igrejas falarem sobre Céu, Santificação e Volta de Cristo? Tem pregador que nem quer que Jesus volte, porque ele está tão bem na vida hoje que a Volta de Cristo irá estragar os planos dele.
RF – O senhor tem falado ultimamente que tem aumentado no Brasil o número de crentes desiludidos e frustrados com a fé cristã por terem acreditado na Teologia da Prosperidade. Como tratar os crentes nessa situação?
PR – Os pesquisadores e sociólogos chamam isso de “trânsito religioso”. Há uma igreja em trânsito hoje. São milhares e milhares de crentes, talvez milhões, que não conseguem mais parar em igreja nenhuma. Eles transitam. Qual a igreja que oferece a melhor proposta ou o melhor entretenimento? Qual a igreja que vai oferecer o melhor show daquele fim de semana?
Converti-me ao Evangelho em 1971 e, naquela época, nunca esperava que um dia algumas denominações chamassem um culto evangélico de show. Agora tudo é show. Há igrejas que só funcionam como shows. É a forma de prender a multidão. “Olha, hoje à noite tem fulano de tal, amanhã tem beltrano e depois aquele outro”, e não pára. Porque, se parar, o povo vai embora.
RF – E como tratar um crente assim?
PR – É preciso ensino da Palavra, porque as pessoas que saem dessas igrejas chegam cheias de ensinos distorcidos. Elas chegam falando, por exemplo: “Fulano foi ungido pastor”. Mas na Bíblia não existe unção para pastor. Na Bíblia as pessoas eram ordenadas ao ministério por imposição de mãos, e não ungidas, e a unção não é privilégio de um grupo. Eles vêm cheios desses cacoetes “Eu declaro”, “Eu reivindico”, “Eu não aceito”, “Eu determino”, “Eu decreto”, chegam com distorções doutrinárias.
Aí você tem que ensinar à pessoa que o fato de ela estar em crise não quer dizer que é amaldiçoada. Nunca vi isso. Essa coisa de determinar tudo é falta de ensino. Terão também que repensar a questão do sofrimento, que faz parte da Teologia. Muitos pensam que não existe sofrimento para o crente. O crente não pode adoecer, sofrer, ter dívidas etc. Às vezes fico pensando: até que ponto a pessoa pode acreditar na aguinha em cima do rádio, na cruz pregada na parede, nos sabonetes ungidos…batismo no Espírito Santo com pó de ouro! Há ainda o tapete ungido, a campanha para os adeptos ganharem na loteria etc. O ser humano tem a habilidade de crer em qualquer coisa.
O discipulado é também muito importante. Esses crentes passam a viver uma crise de conversão. As igrejas por onde passaram são fortes na sua ação evangelizadora, atraem o povo, mas são fracas na sua ação discipuladora. Elas não conseguem mais discipular. Porque, para discipular, gasta-se tempo, envolvimento, e isso não existe mais.
Além disso, muitos pregadores de hoje vivem no avião, falam com as pessoas da tevê, não têm mais relacionamentos, a não ser com empresários. Precisamos ajudar as pessoas a crescerem para que possam ajudar outras depois. Uma coisa muito importante ainda é o acolhimento. É preciso acolher essas pessoas, não olhá-las com suspeitas, porque, na verdade, elas já se decepcionaram onde estiveram.
RF – O Movimento Pentecostal foi, sem dúvida, um dos últimos avivamentos que a igreja experimentou nos últimos séculos, afetando o crescimento e a História da Igreja no mundo. No final do século 20, uma versão diferente desse movimento surgiu, com modismos sem base bíblica. Deixando de lado esses desvios, quais os benefícios do Movimento Pentecostal para a Igreja, especialmente no Brasil?
PR – A grande contribuição do Movimento Pentecostal foi a evangelização. Ele é o maior movimento evangélico do mundo. Não tem maior. Mas não foi só a AD, outras igrejas também enfatizavam a evangelização. Hoje, porém, infelizmente, muitas igrejas estão substituindo a evangelização pela competição, pelo proselitismo. Tem muito mais crente mudando de igreja do que pecador aceitando a Cristo. Há igrejas que crescem hoje por competição e não pela evangelização, e com isso aí o Reino de Deus não cresce. Só se muda o peixe do aquário.
RF – O que é preciso para se fazer apologética cristã saudável?
PR – Principalmente equilíbrio. Há pessoas que são apologistas, mas exageradas, sensacionalistas. É preciso amor. Vejo muitos apologistas hostis, atacando as pessoas. Não gosto nem mais de usar o termo seita ou heresia. Acho muito pejorativo. Hoje falo de fenômeno religioso ou movimentos religiosos.
A apologética precisa aprender a construir pontes e não levantar muros. Se ela já chega atirando, o pessoal corre. Os apologistas precisam aprender a dialogar. Não precisa ser hostil. A Bíblia diz: “Falai a verdade com amor”. Além disso, a informação a ser transmitida deve ser apurada.

Paulo Romeiro é brilhante apologista cristão, autor de um livro que vale a pena ler: Super Crentes

Entrevista cedida a Revista “Resposta Fiel”, ano 5, nº 17, p. 10-12

interrogacao

Hem? Hem? O mais penso, testo e explico: todo o mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é a salvação da alma”

Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas

Introdução

“E.M. F era cabeleireiro, 27 anos, solteiro, evangélico a 8 anos. Compareceu ao consultório psiquiátrico queixando que apesar de inúmeras sessões de libertação em sua igreja local não conseguia ficar livre de ações do demônio em sua vida. “As garras dele andam no meu corpo”, “sinto a densidade da nuvem dele ao redor de mim”. Antes do início das supostas opressões dizia ser isolado, desconfiado das pessoas, com dificuldade de relacionamento e convívio social. Foi medicado por seu Psiquiatra e retornou semanas depois dizendo estar melhor e feliz “as opressões pararam”.

P.T.C era desempregada, 31 anos, casada, evangélica há 7 anos, Foi internada em um hospital psiquiátrico por seus familiares porque após ir a uma determinada igreja começou a ter fenômenos estranhos: mudava a voz, tinha comportamentos estranhos. Ficou internada em um hospital psiquiátrico por uma semana, sem um diagnóstico preciso (“provável psicose”). Recebeu alta com medicação para depressão e antipsicoticos. Iniciou acompanhamento psiquiátrico ambulatorial com retirada progressiva da medicação (por não apresentar sintomas que justificassem seu uso), permanecendo assintomática após bom tempo de acompanhamento”.

As histórias acima representam constantes dilemas no universo Cristão Protestante Brasileiro: a distinção entre quadros psiquiátricos e quadros oriundos de fenômenos espirituais.

O primeiro paciente, portador de um transtorno mental chamado Esquizofrenia, sofreu por longo tempo por acreditar ( e ser ensinado) que seus problema tinham como causa a ação do demônio e espíritos malignos. O segundo, mesmo sem alterações psicopatológicas evidentes e rápido desfecho dos sintomas, foi tratado por bom tempo com medicações indicadas para pacientes esquizofrênicos. Permaneceu assintomático após longo período sem o uso de tais medicações.

Desde a idade média o adoecimento mental foi implicado como sendo causado por fenômenos religiosos.

Neste ínterim, quadros de loucura (as psicoses) eram atribuídos normalmente a uma única entidade causal: a possessão demoníaca. Da mesma forma, outros quadros psiquiátricos graves tem sua causas atribuídas a outras ações do mundo espiritual: opressão espiritual, possessão, obras de macumbaria, feitiçaria, maldições hereditárias e espirituais, etc. Muitos loucos e acometidos de outros transtornos mentais foram brutalmente queimados em fogueiras ou excluídos da sociedade com bases em tais conceitos.

As clássicas origens dos transtornos mentais, baseadas na neurobiologia (com ênfase na origem orgânica das doenças) e teorias psicopatológicas e psicodinâmicas são normalmente ignoradas pelos segmentos religiosos brasileiros: protestantes, católicos, dentre outros.

Por outro lado, psiquiatras e psicólogos, por diversas razões, ignoram a possibilidade de quadros psiquiátricos terem como origem fatores espirituais.

O presente texto visa proporcionar para leigos subsídios para distinções entre quadros psiquiátricos e de origem espiritual, tomando como pano de fundo teológico o cristianismo protestante, por ser esta a orientação de fé do autor.

O que diz a Bíblia sobre os Transtornos Mentais

As doenças mentais causadas por espíritos malignos

Mat.: 8 – 16 “Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes”.

Marcos: 5 “Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo…o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo…Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!…Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram”.

Em toda a Bíblia não encontramos texto que trata diretamente sobre a origem dos transtornos mentais. Entretanto, alguns textos bíblicos deixam bem claro que pessoas alvo de espíritos malignos podem ter comprometimento em seu estado psíquico tanto nas funções básicas quanto no comportamento geral.

Mateus capítulo 8, versículo 16, deixa bem claro que algumas doenças podem ser causadas por espíritos malignos, uma vez que pessoas eram curadas após ficarem livres de tais espíritos.

Marcos capítulo 5, nos fala do endemoninhado gesareno, descrevendo um quadro de isolamento social (“vivia nos sepulcros”), agressividade e impulsividade (“nem com mesmo cadeias alguém podia prende-lo”), errância (“andava sempre, de noite e de dia”), automutilação e alterações graves de comportamento (“ferindo-se com pedras). O quadro se enquadraria perfeitamente nas descrições dos Transtornos Psicóticos modernos. Novamente a libertação das forças espirituais promoveu cura (“em perfeito juízo”).

As doenças mentais causadas por pecado e Rebelião contra Deus

Daniel capítulo 4 nos fala sobre o rei Nabucodonosor, que se rebelou contra Deus e ficou louco.

As doenças sem causas espirituais

Marcos: 1 – 32 “E, tendo chegado a tarde, quando já estava se pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos e os endemoninhados”.

O texto de Marcos capítulo 1, versículo 32 separa os enfermos dos endemoninhados, deixando bem claro que há enfermidades sem origem espiritual.

Neste momento é importante lembrar que o pecado original do homem no Jardim do Éden não apenas proporcionou seqüelas espirituais, mas, fragilidades e disfunções em seu corpo, alma e espírito.

O que diz a Psiquiatria sobre a origem dos Transtornos Mentais

Para a Psiquiatria os transtornos mentais em geral resultam da soma de muitos fatores como:
– Alterações no funcionamento do cérebro
– Fatores genéticos
– Fatores da própria personalidade do indivíduo
– Condições de educação
– Ação de um grande número de estresses
– Agressões de ordem física e psicológica
– Perdas, decepções, frustrações e sofrimentos físicos e psíquicos que
perturbam o equilíbrio emocional.

Assim, podemos então afirmar que os transtornos mentais não tem uma causa precisa, específica, mas que são formados por fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais Dentre os transtornos mentais, merece especial consideração quando falamos sobre diferenciação de quadros psiquiátricos e espirituais: a Esquizofrenia.

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica endógena (psicose) com dois tipos predominantes de sintomas: os produtivos e os negativos. Os sintomas produtivos (ou positivos) são, basicamente, os delírios e as alucinações. O delírio se caracteriza por uma visão distorcida da realidade. O mais comum, na esquizofrenia, é o delírio persecutório. O indivíduo acredita que está sendo perseguido e observado por pessoas que tramam alguma coisa contra ele. Imagina, por exemplo, que instalaram câmeras de vídeo em sua casa para descobrirem o que faz a fim de prejudicá-lo.

As alucinações caracterizam-se por uma percepção que ocorre independentemente de um estímulo externo. Por exemplo: o doente escuta vozes, em geral, as vozes dos perseguidores, que dão ordens e comentam o que ele faz. São vozes imperativas que podem levá-lo ao suicídio, mandando que pule de um prédio ou de uma ponte.

Delírio e alucinações são sintomas produtivos que respondem mais rapidamente ao tratamento. No outro extremo, estão os sintomas negativos da doença, mais resistentes ao tratamento, e que se caracterizam por diminuição dos impulsos e da vontade e por achatamento afetivo. Há a perda da capacidade de entrar em ressonância com o ambiente, de sentir alegria ou tristeza condizentes com a situação externa.

Dentro de seu quadro clínico pacientes esquizofrênicos podem apresentar delírios em que estão sendo perseguidos pelo diabo, escutar vozes que atribui ser de entidades malignas, ter visões que atribuem ser espirituais, conversar com Deus (ou mesmo acreditarem ser Deus!) e outros sinais e sintomas que podem confundir com achados normalmente presentes dentro do contexto espiritual em que vivem ou participam. Podem deste modo, serem tratados como portadores de opressões e/ou possessões espirituais e não serem encaminhados para tratamento eficaz, comprometendo sua recuperação com sérios riscos a si e a terceiros. Assim é de suma importância diferenciar quadros de origem espiritual de quadros psiquiátricos.

Algumas diferenças entre Transtornos Mentais e Quadros espirituais

Do exposto acima percebemos que quadros de possessão e opressão por espíritos malignos (segundo a Bíblia) podem ter muita semelhança com quadros psiquiátricos, sobretudo Esquizofrenia.

A tabela abaixo tenta fornecer subsídios para esta, às vezes difícil, tarefa.

Características

Quadros de cunho espiritual/religioso boas ou possessão / opressão (ruins)

Sintomas de Doença Psiquiátrica

Controle

Há, por parte do sujeito, um grau de controle e direcionamento sobre as vivências entre as crises ou episódios de possessão / opressão.

Experiências vivenciadas sem qualquer controle

Significado para vida

Sentido de auto-realização experiências que alargam a vida, produzem frutos espirituais. Se possessão / opressão leva a angustia e desejo de libertação.

Experiências comprometem a vida do sujeito progressivamente, sem períodos ou fases de crescimento.

Posit./Negatividade

As vivências tem, de modo geral, sentido positivo para a vida do sujeito. Há busca, se negativo, de libertação

Vivencias de modo geral com sentido negativo. Ruptura.

Relação com sintomas psicopatologicos

Experiências isoladas, que não se articulam com outros sintomas de transtornos mentais. Se possessão ou opressão, entre episódios sujeito normal e com bom funcionamento psíquico.

Geralmente não são vivencias isoladas, ao lado do delírio ou alucinação há outros sintomas psiquiátricos que no conjunto sugerem o quadro psiquiátrico.

Conteúdo sintomas

Os conteúdos seguem uma doutrina religiosa, são aceitos pelos membros da religião , ainda que estranhhos.

Conteúdos são estranhos ao próprio meio cristão, são bizarros, incomuns, com status divino

Características das alucinações, visuões

Elementos mais no campo intelectual, com alguma crítica.

Elementos mais corpóreos com mais certeza de serem reais

Grau de certeza das alterações delirantes e irreais.

Pode haver dúvida ou conflitos

Geralmente apresentam certeza absoluta das visões, alucinações.

Duração

O quadro patológico aparente dura pouco, resolve com intervenções com cura interior , libertação ou sem as mesmas

O quadro não melhora com o tempo, mesmo após inúmeras sessões de cura interior e libertação, pioram com o tempo.

Busca de ajuda

Normalmente há a busca de ajuda e troca de experiências com outros

O sujeito tende ao isolamento, com desconfiança, não compartilha.

Vida e personalidade prévia

Normalmente não se encontram alterações no comportamento ou funcionamento mental previamente as crises ou episódios de possessão/opressão

Há histórias de traumas, conflitos, e alterações de comportamento previamente em alguns casos

Com base em jackson, Fulford (1997), Sims(1997), Dalgalarrondo (2007).

Conclusão

A diferenciação de quadros causados por fatores espirituais e emocionais é de suma importância. A duração dos sinais ou sintomas, o conjunto dos mesmos, e a resposta ou não a medidas de auxílio (orações, libertações, etc) e tratamento instituídas são os fatores mais importantes na diferenciação destes fenômenos.

fonte: http://www.psiquiatriaespiritualidade.com.br

Muitas pessoas têm certeza que os exercícios físicos melhoram o humor, e estudos têm sugerido que a prática de exercícios é quase tão eficaz quando antidepressivos no alívio de sintomas de depressão. Porém, um novo estudo descobriu que até mesmo pessoas fortes que se exercitam têm menos tendência a se sentirem depressivas e ansiosas, e isso provavelmente não ocorre porque eles se exercitam.

Pesquisadores holandeses estudaram 5.952 gêmeos do Registro de Gêmeos dos Países Baixos, assim como mais 1.357 irmãos e 1.249 pais, todos com idade entre 18 e 50 anos. Os pesquisadores registraram dados sobre a freqüência e a duração dos exercícios e usaram escalas bem variadas para descobrir sintomas de depressão e ansiedade. O estudo foi publicado no The Archives of General Psychiatry.

Estudar os gêmeos permitiu aos pesquisadores distinguir entre fatores genéticos e ambientais, e descobriram que a associação do exercício físico à redução da ansiedade e sintomas depressivos pode ser explicada geneticamente: pessoas sem inclinação aos exercícios também tendem a serem depressivas. Uma coisa não causa a outra.

Isso não significa que a prática de exercícios é inútil para aliviar sintomas depressivos. “Exercitar-se ainda pode ser benéfico para pacientes que estão sendo tratados contra um distúrbio de ansiedade ou depressivo”, disse Marleen H. M. de Moor, principal autora do estudo e doutoranda em psicologia da VU University Amsterdam. “Mas não conseguimos encontrar evidências para um efeito causal na população como um todo.”

Fonte: Archives General Psychiatry/G1