Psiquiatra Cristão

Relação entre dinheiro, casamento e nível de felicidade

Posted on: 8 de Fevereiro de 2009

Caro leitor, você prefere ser rico ou ser feliz? Parece evidente que a melhor escolha é a felicidade. Porém, muitos condicionam a conquista da felicidade à obtenção de uma boa situação financeira. Mas será que ser rico ajuda a ser feliz?

Os primeiros pensadores da Economia estudaram intensamente os fatores que influenciam na felicidade das pessoas. Jeremy Bentham, filósofo inglês nascido no século 18, buscava responder questões sobre como maximizar a utilidade e a felicidade. Para Bentham, a utilidade é definida como a propriedade que um dado bem possui de trazer ao individuo algum beneficio, prazer ou felicidade.

Alfred Marshall, autor dos “Princípios de Economia” (1890) afirmou que “pode fazer pequena diferença para a plenitude de uma família a sua renda anual de 1.000 ou de 5.000 libras; mas a diferença é grande se a renda for de 30 ou 150 libras: pois com 150 libras a família tem as condições materiais de uma vida satisfatória, enquanto que com 30 libras não as tem. É verdade que na religião, nas afeições de família e na amizade, mesmo o pobre pode encontrar objeto para muitas das faculdades que são a fonte da maior felicidade”.

Em vários textos dos séculos 18 e 19, e até do principio do século 20, é comum observar associação entre o estudo da Economia e a busca da felicidade. Porém, em dado momento, a felicidade parou de freqüentar o debate econômico.

No início do século XX, sob inspiração do Positivismo, a Economia passou buscar a construção de um modelo de ser humano que pudesse sustentar toda a teoria de forma consistente e positiva e, principalmente, modelável matematicamente. A economia não conseguia definir o que era felicidade e a hipótese de maximizar algo não-definível era totalmente inaceitável para a ciência positivista. Assim, a teoria da utilidade triunfou e nasceu o homus economicus, eterno maximizador racional de utilidade.

Porém, recordando Jeremy Bentham e sua definição de que utilidade é a propriedade de trazer ao individuo algum beneficio, prazer ou felicidade, não estaríamos no mesmo ponto? Para fugir desta cilada, a Economia adotou a hipótese de que consumo é igual à utilidade. Passamos a acreditar que o incremento da renda, que possibilita o consumo, aumenta a felicidade da população.

Durante muito tempo, a equação mais renda mais felicidade funcionou muito bem. Mas, a partir da década de 1960, as nações mais desenvolvidas passaram a aumentar a renda – e o nível geral de felicidade de sua população não cresceu na mesma proporção. Diante deste problema, a Economia precisou rever o pressuposto de que o homem é um ser racional, egoísta e maximizador de utilidade.

:: Medindo a felicidade

Nos últimos anos, inúmeros estudos foram elaborados para entender a felicidade. Inicialmente, formou-se certo consenso de que a única forma viável de se medir o grau de felicidade de uma pessoa era acreditando naquilo que ela externava. Assim, a típica pesquisa sobre felicidade passou a ser feita com questionários. As perguntas eram do tipo “de zero a dez, qual o nível geral de sua satisfação com a vida neste momento?” ou, eventualmente, questões mais complexas, mas sempre baseado no julgamento do próprio individuo pesquisado sobre a satisfação dele com a vida.

Sabe-se que nem sempre as pessoas são sinceras em suas afirmações. Também existe um consenso de que as respostas podem variar ao longo do tempo, até mesmo em questão de minutos. Uma pessoa que diz ter alto nível de satisfação com a vida pode responder de outra forma após uma discussão com o cônjuge, por exemplo.

Mesmo diante destas limitações, as pesquisas continuam a ser feitas e seus resultados, compilados. A suposição é que se muitas pessoas forem pesquisadas e se as pesquisas forem repetidas ano após ano, será possível medir o nível de satisfação de uma população com a vida.

O World Database of Happiness (base de dados de pesquisas sobre felicidade, sediada na Holanda) concentra estudos feitos em 135 diferentes países. Essa ferramenta permite que pesquisadores de todo a mundo busquem informações para entender o que nos faz felizes.

Um estudo interessante foi feito por Alois Stutzer e Bruno Frey, da University of Zurich, com dados de uma extensa pesquisa do Socio-Economic Panel, da Alemanha. Com o título “O casamento faz as pessoas felizes ou pessoas felizes é que se casam? “, o estudo investiga a relação entre casamento e felicidade.

:: Casamento e felicidade

Stutzer e Frey, trabalhando com dados da Alemanha, chegaram à conclusão que pessoas casadas são mais felizes e satisfeitas com a vida do que aquelas que permanecem solteiras. O efeito do casamento, no grau de satisfação com a vida, é equivalente a um aumento de duas vezes e meia na renda. Uma ducha de água fria para os críticos ferozes do casamento.

De acordo com o estudo, o grau de felicidade cresce de forma significativa nos seis anos anteriores ao casamento e atinge o pico um ano após as núpcias. Após um ano de casado, o nível de felicidade começa a cair. No décimo ano depois do casamento, o nível de satisfação com a vida é inferior ao de dez anos antes do matrimônio. Mas a queda no nível de satisfação com a vida não decorre do relacionamento. A curva de felicidade daqueles que permanecem solteiros também descende ao longo do tempo.

Aos 36 anos, os casados são apenas um pouco mais felizes do que os solteiros. A partir desta idade, o nível de satisfação com a vida dos solteiros cai significativamente até atingir um pico de baixa aos 44 anos, quando então são muito menos felizes que os casados.

Mas porque há quem diga que o casamento traz infelicidade? A pesquisa mostra que as pessoas tendem a ser mais felizes aos 24 do que aos 44 anos, independente de estarem ou não casadas.

Dados estatísticos não servem para explicar situações particulares. Mas, com base nas estatísticas, você não deve colocar seu casamento em risco para tentar ganhar mais dinheiro e ser mais feliz.

Fonte:

articulista@edufinanceira.org.br

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Jurandir Sell Macedo, CFPTM (Certified Financial PlannerTM). Profissional de Investimentos Certificado APIMEC. Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina com especialidade em Finanças. Professor Adjunto de Finanças Pessoais e Comportamentais da UFSC. Membro Orientador do Instituto Nacional de Investidores – INI. Jurandir é autor do livro “A árvore do dinheiro – guia para cultivar a sua independência financeira” Editora Campus 2007

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